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Cavaleiros de Jorge
As estrelas do mar e as estrelas do céu têm
belezas particulares, estão distantes umas das outras e existem sem
explicação, assim também vivem várias outras formas
de beleza em nossa volta e o prazer de percebê-las é um presente
da vida. Dentro da música isso não é diferente e não
é diferente essa opinião para várias pessoas. Pois na
beleza do vulcão ativo não comporta a beleza da lagoa parada,
mas a beleza está nos dois lugares, ela há de ser sempre assim,
diversa, para que nunca possam aprisioná-la. Existem belezas em muitos
lugares e os nossos sentidos sabem perceber.
O selo fonográfico “Cavaleiros de Jorge” nasce com a função
prazerosa de expor belezas através da criatividade de pessoas que se
misturaram com a música. Na nossa aldeia não há preocupação
com a idade dos “Cavaleiros”, nem com o estilo deles, e até mesmo se
ainda vivem ou não, pois estrela que é estrela brilha para
além da sua existência. Seremos o elástico do arco das
flechas para lançá-las o mais alto possível, não
sabemos se lançaremos onde elas merecem chegar, mas esticaremos nosso
elástico o máximo que pudermos, faremos o possível para
que essas flechas não tenham o triste fim das canoas que nunca deitaram
suas costas sobre o mar.
A criatividade sempre terá lugar no nosso alforje, tanto para as
flechas tradicionais de madeira como para as de fogo, pois o nosso interesse
vai desde a recuperação de discos esquecidos até por
lançamentos de artistas novos, pelas chulas tradicionais, pelas toadas
nordestinas, pelo canto dos caboclos, pelos intérpretes vigorosos
e os que são definidos como cult ou POP, pelos roqueiros, pelos sambistas
e, especialmente, pelos poetas, pois sabemos que é misturando isso
tudo com poesia que a nossa música popular brasileira brilha de forma
impar, e dessa forma vai se nutrindo e renascendo, se invertendo e se regenerando,
e para nós, “Cavaleiros de Jorge”, basta ser popular, carregado de
beleza e liberdade para ser mais um dos nossos.
Nosso selo terá sempre essa marca, ele é de quem canta e
toca, de quem produz e lança, de quem adquire e divulga, pois ele
é fruto do prazer sem a preocupação de servir para pesquisadores
ou para comerciantes, sem a preocupação de carregar o peso de
um estilo, sem preocupações que possam empobrecer a criatividade,
mas com o mesmo desejo relaxado de quem se deita na rede pra descansar os
olhos no mar sabendo que vai fazer o que gosta, realizar o que sonha e dar
condições de se ouvir o que poderia ser calado.
Vamos Cavaleiros, a estrada está livre, a lua está cheia
e a música brasileira é muito vasta.
Axé! J. Velloso
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