| Alimentos
orgânicos Por Damaris Lago e Marisa Amaral Na década de 70, a produção orgânica no Brasil estava diretamente relacionada com movimentos filosóficos, que buscavam o retorno do contato com a terra como forma alternativa de vida. Com a conscientização sobre a preservação ecológica e a busca por uma alimentação cada vez mais saudável, houve a expansão dos consumidores de orgânicos e, a partir dos anos 80, organizaram-se cooperativas de produção e consumo de produtos naturais, bem como os restaurantes dedicados a esse tipo de alimentação. Segundo dados do IBD, Instituto Biodinâmico, que já garantiu participação na Fisa, a agricultura orgânica no Brasil apresenta um crescimento estimado de 30% ao ano e reúne um número aproximado de 8.000 produtores e 900.000 hectares cultivados, com um potencial de 3.000.000 hectares em curto prazo. Os alimentos orgânicos brasileiros são reconhecidos e valorizados em todo o mundo e, no ranking dos orgânicos, o Brasil ocupa hoje a 6ª posição. Nossos produtos são exportados para a Alemanha, Holanda, EUA, Japão, Reino Unido, Suíça, Bélgica, França, Áustria, Dinamarca, Suécia e Canadá, entre outros. E no Brasil, é cada vez maior o número de consumidores conscientes dos benefícios deste método de produção. Dados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) apontam que o Brasil dispõe atualmente de 270 mil hectares de áreas sob manejo orgânico, o que representa um total de mais de sete mil propriedades rurais produtoras de orgânicos. Esse crescimento se deve principalmente à adequação do sistema de produção orgânica às características de pequenas propriedades com gestão familiar, seja pela diversidade de produtos cultivados em uma mesma área, seja pela menor dependência de recursos externos, com maior utilização de mão-de-obra e menor necessidade de capital. Tendências e Novidades A Usina da Barra é adepta desta tendência e apresenta o Açúcar Orgânico Biodoce. A produção deste produto é extremamente diferenciada. “Primeiro, a lavoura passa por um processo de desintoxicação. De três a quatro anos, nada pode ser plantado no local. Após este processo, a cana é cultivada com adubo orgânico. É proibida a utilização de inseticida, então quando surge um determinado tipo de lagarta, temos um laboratório que busca um inseto que a combate”, explicou José Armando Serafim, gerente de vendas da divisão de indústrias. A Corn Products lançará no pavilhão de orgânicos a linha de alimentos funcionais, principalmente de fibras probióticas. “O tema do momento continua sendo a preocupação com a saúde. Essa tendência, que ao que tudo indica veio para ficar, se demonstra nas altas taxas de crescimento e o número cada vez maior de lançamentos de produtos funcionais”, disse Adriana Rached, gerente de produto e desenvolvimento de mercado da área de alimentos. O destaque entre os lançamentos é o Natureal, uma fibra de aveia com alta concentração de b-glucana, composto que contribui no controle de colesterol e da glicemia do sangue. Outra novidade entre os orgânicos fica por conta da alemã Fuchs, a primeira empresa no Brasil a lançar a linha de Ervas e Especiarias Orgânicas, cultivada sem uso de agrotóxicos, seguindo a tendência crescente de procura por alimentos naturais e ecológicos. A Centroflora investiu em experiências das técnicas de extração trazidas da Europa, que inovou a produção de extratos fitoterápicos para o mercado brasileiro. Na Fisa, apresentará a tecnologia empregada na produção de extrato seco orgânico de acerola, echinacea (folhas e raiz), gengibre, ginseng siberiano, guaraná, hipérico e mate. Outra tecnologia interessante que estará à disposição dos visitantes da Fisa é a de produção e extração de óleo de palma e óleo de palmiste pelo Grupo Agropalma, o maior produtor de óleo de palma da América Latina, empresa que domina todo o ciclo de produção, da semente ao óleo refinado, gorduras vegetais e margarina. O que é orgânico Alimento orgânico é produzido de forma equilibrada entre o solo e demais recursos naturais (água, plantas, animais, insetos etc.), conservando-os em longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. São utilizados estudos baseados em agronomia, ecologia, sociologia, economia, entre outras ciências. Para que o produto seja comercializado, é preciso o certificado IBD (Instituto Biodinâmico), que atua em todo o Brasil e América do Sul. Os procedimentos de certificação envolvem o processo de conversão da propriedade (2 a 3 anos), que é acompanhado pelos técnicos do IBD que inspecionam regularmente e orientam todas as etapas da produção e/ou processamento. |