| Sexo
saudável Por Ricardo Viveiros O tcheco Sigmund Freud, influenciado pelo francês Jean-Martin Charcot, criou a psicologia fundamentando suas teses em histeria e sexualidade. Na época, e até hoje em dia, há quem questione a seriedade das intenções de Freud, exatamente por tratar do tema “sexo”. E, sem dúvida, há muitos charlatões ganhando a vida desonestamente, explorando esse mesmo tema, pelos quatro cantos do mundo. No final dos anos 40, início da década de 50, o norte-americano Alfred Kinsey, outro conhecido especialista no assunto passou bom tempo de sua carreira dedicado a convencer à imprensa de que tentava discernir o certo do errado. Perdeu seu precioso tempo. Porque o tema sexo, ainda sob preconceitos, não merecia tratamento responsável. Depois, nos anos 80, a também norte-americana Shere Hite sacudiu o mundo com seus “relatórios” sobre sexualidade. A começar pelo polêmico “Relatório Hite Feminino”, seguido dos não menos discutidos “Relatório Hite Masculino” e “Relatório Hite Sobre a Família”. Da obra da historiadora Shere Hite o livro que mais me agrada é o romance “A Divina Comédia de Ariadne e Júpiter”, uma obra muito divertida e interessante. Os tempos mudaram, não há dúvida. Hoje, já observamos que a mídia e a sociedade tratam do assunto com bem mais responsabilidade, embora em algumas comunidades mais provincianas e na prática de religiões mais antiquadas, persista uma teimosa resistência ao sexo, ainda um tabu. Mas, vamos nos conformando com as palestras e, até mesmo, aulas de “Educação Sexual” nas escolas de nossos filhos, nem sempre com o tema merecendo o mais adequado tratamento. E, em casa, muitas vezes movidos pela formação antiquada, insistimos em que o pai conversa com o filho e a mãe com a filha sobre sexo — clara demonstração de que não estamos preparados para orientá-los, porque partimos de posições, como eles mesmos dizem, “caretas”. A imprensa mundial deu destaque recentemente a uma pesquisa realizada pela cientista Gert Holstege, da Universidade de Groningen, Holanda, que apresentou suas descobertas no respeitado encontro anual da Sociedade Européia de Reprodução Assistida e Embriologia. Segundo os resultados obtidos por Holstege, a mulher pode até conseguir enganar seus parceiros fingindo alcançar o orgasmo. Até aí, tudo bem, todos imaginamos que isso possa acontecer. O fantástico está no seguinte: a pesquisadora obteve uma técnica para flagrar o “falso clímax” com a ajuda da tomografia computadorizada. Tecnologia de ponta a serviço da verdade no sexo. Os cientistas, guerreiros contra a mentira, acompanharam o comportamento cerebral de 13 mulheres e 11 homens, enquanto eram “estimulados manualmente” por seus respectivos parceiros. Não se pode dizer que a pesquisa tenha sido uma coisa muito dolorosa para as “cobaias”, mas não consigo deixar de imaginar a cena. Uma universidade, um laboratório, o ambiente imaculado, as pessoas de jalecos brancos monitoradas por tomógrafos digitais e “estimulando” seus parceiros. É a ciência! É a luta contra a sórdida mentira que, desde que existe o homem e a mulher, os mais sensíveis já a descobriram e sabem comprovar, olhando nos olhos uma das outras, na resposta à simples pergunta: “Amor, diz vai, foi bom pra você?”. |